Monday, March 29, 2010

half-cocked girl


Um dia destes, vou-me cobrir tanto até que já nao me vejas, porque se fosses cego eu seria feliz! Podias sempre desaparecer, deixar para atrás apenas a sombra que depois se arrastaría até se desfazer em pó, mas eu nao guardaria rancor, mágoa, raiva, NAO! Eu sería livre para sair à rua e gritar e cantar, e correr, mesmo que pouco, mas correr, evacuar todos os pesadelos, fantasmas e esqueletos, e matar todas as memórias ou quiças abraçá-las e aceitá-las de uma vez por todas! Quero ser livre, para ser incoerente todos os dias, porque eu apenas sei o que não quero, no entanto, o que quero, nao tenho nem ideia, e jamais vou ter. Contudo, vou-me agarrando, aguentando, tentando pintar a minha visão de uma cor diferente mas os braços doem-me e o pincel já está todo estrupiado, e a tela, uii, a tela, é fraca, foleira até posso afirmar! Mas se soubesses, a força, essa nao tem limites, a imaginação vive mais que eu, eu resigno me ao fumo, e à terapia do esquecimento e euforia momentanea, enchendo os meus ouvidos de melodia, porque eu não posso deixar-me divagar, isso seria morrer muito devagarinho. Pois, mas a verdade é que esta manha acordei e questionei-me se estava viva, estava tudo turvo e cinzento, e tu nao parecias desaparecer nunca, colei o rosto ensonado no espelho e vi o reflexo humido do vapor, e nao fiquei aliviada... Já nao sei mais, talvez nunca soube, convenço me que sei a certas horas de certos dias, mas eu nunca sei, eu nunca vou saber, e eu nunca, terrivelmente, vou esquecer...que estou viva

Friday, March 5, 2010

Finding peace of my mind

'So I start a revolution from my bed'

Eu quero mais, quero ser mais muito mais. Algo que nenhum homem alguma vez vai trazer, que nenhum pai pode resolver. Do alto da minha arrogância e da minha inteligencia, eu nunca encontrarei paz de espirito. Não há dogma, nao há crença, não há sentido, a bola nao gira por nexos, e sim é tudo uma grande e trágica casualidade. E em todos os remoer demais, os pensar em excesso, as superioridades claras, eu construí esta quase mulher, de grandes filosofias e teorias, cheia de arrogância, agonia e vazio, presa na zona de conforto. E sim eu sei que a ignorancia é uma benção, e durante anos senti me acima, noutra linha, noutra dimensao noutro patamar, so que quanto mais degraus subo, e quão mais iluminada, mais escura me torno, mais amarga me sinto e mais cinzenta me vejo. Estou seca e desencantada. Porque eu preciso de mais, e muito mais. A cabeça já nao está enfiada na areia, e a compaixao já nao chega, e se a luta pela procura da paz interior é inutil, a da realização temporaria talvez não. E eu quero mais e eu posso mais, e todas as justificaçoes, discursos, argumentações, teoremas e teses, nao servem para compensar nada, nem explicar a ninguém, eu repito-as aos demais, para justificá-las a mim, apenas a mim. Sou eu quem nao as encaixa, sou eu quem as refuta, sou eu a quem elas desiludem, e são a mim que elas causam este vazio, agonia e angustia. E eu quero mais... isto não pode ser o 'melhor impossível', tem de haver mais, tão mais, se eu penso demais, é porque há mais e eu sou mais. E eu vivo para mim, e desse egoismo eu esqueci o resto da humanidade, como posso amar, encantar-me se o que vejo está roto, desgasto, jaz apodrecido. Eu faço nada eu sou nada, mas eu sinto muito, e preciso de mais, mais sentido, mais causa, mais razão, mais motivação, mais proposito, se eu nao trago sossego à minha alma, posso trazer a outros, e isso pode ajudar-me tanto. E eu posso, eu tenho duas maos, eu tenho dois olhos inundados de preocupaçao sem utilidade, porque eu paraliso, e chega de paralisar. Se eu sinto, eu sou capaz, e eu preciso de mais, e chega de exigir mais dos outros, eu quero dar mais... MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS

'My hands are small I know
but they're not yours they're my own'

SO FUCKING I'M GONNA DO SOMETHING!!!!!!!!!!!